SERVINDO A DEUS COM ALEGRIA
Por Pr. Daniel C Pauluci
O falarmos de nós muitas vezes, faz-nos refletir nossas convicções e objetivos, por isso valorizamos tanto o testemunho, pois através dele novamente confirmamos os nossos atos e expomos a nossa realidade. Muitos crentes de hoje, temem testemunhar pois rapidamente o ouvinte fará uma comparação do que esta sendo ouvindo e como aquele que testemunha está vivendo, desta forma sinto uma grande responsabilidade em contar um pouco da minha vida e daquilo que Deus tem feito a meu favor.
Nasci em um lar evangélico, meu pai era pastor da IGREJA EVANGÉLICA DE INHUMAS – GO. Vivi nesta comunidade por muitos anos assumindo várias responsabilidades e fazendo muitas cousas que cria serem para Deus e confirmavam a minha ida para o céu. Vivi assim enganado por mim mesmo, até que entendi que a regra da natureza que “filho de peixe, peixe é”, não é a regra do céu, então em 20 de outubro de 1980, entreguei a minha vida a Cristo aceitando-O como meu Salvador pessoal, a partir dali as cousas mudaram. O ser nascido em lar cristão, não era o suficiente para me levar para o céu, a benção de ser educado em um lar cristão verdadeiramente contribuiu muito na formação do caráter pessoal pela educação maravilhosa que recebi de meus amados pais, como a facilidade em ouvir a Palavra de Deus, que em nenhum de meus dias faltou. Nunca meus pais me enganaram com o pensamento que o ser educado na Igreja ou ser filho de Pastor era o suficiente para me levar ao céu, pelo contrário sempre éramos (4 filhos) questionados sobre a nossa realidade pessoas e a necessidade individual de entregarmos à nossa vida Cristo, e foi pela pregação da Palavra de Deus através de meu pai e pelo apoio espiritual de minha mãe que finalmente depois de muitos anos de serviço na Igreja em que éramos membros, que fui ser transformado pela Salvação que há em Cristo Jesus, passando a partir daí a gozar dos benefícios de ser uma nova criatura.
Sempre fui muito apegado aos meus pais, e assim ao ver a dedicação dos mesmos na Obra de Deus, aquele amor e aquela dedicação tocavam em mim, ao ver o desafio na pregação do evangelho pelas almas perdidas, me emocionavam muito, a tal ponto que muitas vezes chorava e ainda choro ao ouvir falar de Cristo e seus atos por amor ao homem perdido.
O tempo foi passando e a minha vida econômica estava a cada dia mais definida, e mesmo depois de já ter feito uma decisão de servir ao Senhor na sua Obra, eu agora olhava para o meu potencial pessoal, a minha carreira profissional altamente promissora, as dificuldades e as lutas que meus pais enfrentaram, nesta altura parti então por negociar com Deus, dizendo que me tornaria rico, e assim então sustentaria servos de Deus na Obra do Senhor. Cheguei a tomar alguns passos nessa direção, mas não era essa a direção que Deus queria para a minha vida.
As lutas internas eram tremendas a tal ponto que não queria mais ouvir mensagens missionárias, me esquivando até de conversar sobre o assunto, quanto mais de ouvir um apelo para o servir ao Senhor, para mim aquela vida com limites e muitas dificuldades que vivíamos, não era a vida que queria. Assim passei a lutar com Deus.
Uma vez, eu vim ao Instituto Bíblico Maranata com minha namorada, hoje minha esposa, e ao conversarmos ela me chamou para nos preparar para servir ao Senhor, ai então as minhas lutas aumentaram, pois agora eu me via diante duas grandes responsabilidades; a que tratava da minha vida de servir ao Senhor, como também agora a de minha futura esposa. Não foi brincadeira o que passei internamente.
Certo dia, já atormentado pelas lutas e indecisões, em oração eu propus ao Senhor em um desafio na oração: SENHOR - se Tu me queres na Tua Obra, eu peço que tires o meu carro”. O meu carro, era uma paixão que eu tinha, e que creio que todo jovem que tiver a oportunidade que tive de tê-lo também seria, por isso eu propus a Deus em algo que doeria dentro de mim, por ser algo que tanto gostava. Passou um tempo, não muito em que escrevi essa oração, o Senhor me protegeu em uma viagem que havia feito até o IBM e em seguida até o litoral Santa Catarinense com a minha futura esposa, sua mãe e outros familiares. A cada momento que estava a dirigir aquele carro eu lembrava da minha oração, eu tentava anulá-la com outra oração. Deus olhava com olhos de misericórdia, e via que o meu sofrimento me levaria ao desespero ainda maior, pelo fato de eu mesmo saber da Vontade de Deus, e lutar contra ela, Deus não queria que eu perdesse o carro, pois ele me seria útil, Ele queria que eu obedecesse sem percas, mas eu insistia em querer perder algo pela minha desobediência e orgulho, e assim fui até que as oportunidades que Deus havia me dado para que eu obedecesse sem percas se esgotaram, então Deus fez aquilo que eu queria, permitiu que entrasse em um acidente que não fui o culpado, mas foi o suficiente para eu ficar sem o meu querido carro. Ainda dentro do veículo, no dia do acidente eu lembrava de toda a minha rebeldia contra os meus pais que voltariam para trabalhar no IBM e que muitas vezes eu dissera que não voltaria, pois eu estava quase para casar. Lembrei da minha oração para que Deus a confirmasse mostrando a Sua vontade, e naquele momento eu não tinha mais o que dizer a Deus a não ser: Senhor, eis me aqui. Ao sair do carro, um pouco machucado e nervoso com o acidente, o meu coração já estava tranqüilo, pois eu estava convicto que havia sido permitido por Deus para confirmar a Sua vontade sobre mim.
A partir de então, comecei a tomar os passos necessários para me envolver na Obra do Senhor. Até aquele momento muitas coisas me prendiam no mundo, mas agora eu estava livre delas; as propostas econômicas aumentaram ainda mais, tanto nas empresas que trabalhava como na que tinha participação, agora o Diabo se dedicou ainda mais para tentar me impedir de servir ao Senhor. Mas graças a Deus ele não conseguiu.
Ao chegar no seminário, sem a noiva, sem dinheiro e com um monte de coisa para pensar, uma coisa eu já tinha certeza, que Deus me queria na Sua Obra e até o lugar onde Ele me queria. Já não tinha mais dúvidas, agora precisava aprender a confiar no Seu sustento.
Sem sustento, e sem promessas para o mesmo, e o casamento chegando, começaram outras perguntas, que Deus me respondeu mandando através de um irmão uma ajuda correspondente a R$10,00 – Era tão pouco dinheiro e eu acostumado a gastar muito dinheiro, que não sabia nem o que fazer com aquele dinheiro, fiquei quase meia hora olhando para aquela nota aberta entre minhas mãos, até que resolvi comprar livros, pois também não tinha livros.
As provações eram tremendas, o casamento chegou, os filhos logo depois, o ministério, tantas cousas, mas algo era interessante nunca nos faltou nada, não que não tenhamos passado (família) por momentos de escassez, passamos por vários e creio que ainda passaremos, mas o Senhor sempre nos socorria, não víamos mais a sua Obra como algo para os outros mas sim algo para nós, não estávamos mais em agonia, recalcitrando contra o Senhor, não mais sentíamos como cegos, mas grandemente alegres em poder servir na Obra do Senhor.
Hoje já fazem alguns anos que o Senhor nos deu a benção de poder servi-lo com as nossas vidas. O Senhor a cada dia vem provando mais e mais da Sua bondade para conosco, fazendo sempre vir a minha mente dois pontos que me marcaram muito no momento de minha formatura. São eles:
- O PRIMEIRO - O Paraninfo trouxe uma mensagem com o seguinte tema: PRECISA-SE DE LOUCOS – tinha sido algo que ouvi falar por muitos com quem relacionava quando souberam da minha consagração, e que muitas vezes me ligaram aqui no seminário com propostas tentadoras e que quando eu não as aceitava, repetia dizendo – VOCÊ É LOUCO. Naquele momento da mensagem do Paraninfo eu podia repetir – Senhor eis aqui um LOUCO para Te servir. Um louco para o mundo.
- O SEGUNDO – O diretor em sua mensagem falou da Obra do Senhor e a comparou com uma corrida de bastão, comparando o bastão com o diploma que naquela noite receberíamos, dizendo ser nós os servos que Deus usará para continuar a Sua Obra de Salvar os homens. Chorei profundamente e antes de pegar o meu bastão “Diploma” refiz naquele momento todo o meu compromisso de servir ao Senhor, convicto da Sua Obra e da continuação da mesma através das nossas vidas, sendo levado a emoções ainda mais fortes no momento em que o único bastão “Diploma” entregue por aquele servo, foi o meu, e aquele servo era o meu pai.
Queridos leitores, não se esqueçam “Dura cousa é recalcitrares contra o Senhor”, e, “O Senhor sempre terá uma Obra para fazer através de você”.
Termino aqui dizendo “ MUITO OBRIGADO SENHOR, PELA TUA PACIÊNCIA, GRAÇA E TREMENDA MISERICÓRDIA PARA COMIGO – EIS ME AQUI”
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